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- 08/05/2011
Crônica em retalhos: a sociedade corrompe o homem
Sidlei Alves

Conheci o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Dourados, em 2001, quando assumimos os nossos respectivos mandatos de vereador por Dourados. Moço educado, de bom coração, muito solícito no atendimento às reivindicações dos eleitores, caiu em desgraça justamente porque entrou na onda do clientelismo. As pessoas pediam-lhe coisas e ele dava. Uma conta de energia aqui, uma cesta básica acolá, duas ou três telhas de Eternit, um milheiro de tijolos, um bujão de gás.


Início de mandato

Eu também quando iniciei o meu mandato de vereador em 2001 era muito requisitado. Logo de início recebi em meu portão uma mulher negra, portanto duas vezes discriminada, que saiu do Canaã I, uns dez quilômetros de distância, para pedir-me um bujão de gás. Neguei. Entrei para casa muito triste, mas neguei o gás. Peguei fama de mau.


Difícil dizer não

Na política é difícil dizer não, mas muitas vezes é necessário. Sidlei não sabia fazê-lo e ia atendendo cada vez mais e mais e mais pedidos que lhe faziam. A fama de bonachão se espalhou e deu no que todos sabem. Já foi preso por duas vezes, acusado de falcatruas com dinheiro público.


Culpa dele? Talvez

Ninguém mandou enveredar por esse caminho dirão muitos, mas fico pensando com os meus botões e acabo dando razão a Rousseau, filósofo iluminista suíço do século 18 por nos ensinar que “o homem é bom por natureza, a sociedade é que o corrompe”. Essa sociedade corruptora, no entanto, não se sente culpada. Procure o caro leitor para ver se encontra um único dos beneficiados pelo Sidlei, para ver se algum dentre eles quer dividir o tempo que ele vai ficar na cadeia?


Dezessete ainda era pouco

Na Legislatura de 2001-2004 a Câmara de Dourados tinha dezessete vereadores. A Justiça Eleitoral resolveu baixar o número com a justificativa de que os gastos com o Legislativo eram elevados. Na época me posicionei contrário e tinha razão. Os repasses às Câmaras Municipais de todo o Brasil não diminuíram, embora tenha diminuído o número de vereadores. É verdade que algumas devolveram dinheiro ao Executivo, mas sabe-se lá se para fazer algum famoso “retorno”, ou se por seriedade?


A oposição é salutar

Num regime democrático a oposição é extremamente salutar. Entre 2001 e 2004, com dezessete vereadores na Câmara tínhamos bancadas ideologicamente comprometidas. Lembro-me dos debates acalorados com Paulo Falcão, Eduardo Marcondes, Bela Barros, dentre outros oposicionistas ao prefeito Tetila. Lembro-me bem também das opiniões divergentes levadas à tribuna sobre a postura de Lula no governo, em que o vereador Domingos Alves e eu travávamos debates de alto nível, cada qual defendendo suas posições.


Balanço geral

Não estou assumindo o papel de advogado de defesa de Sidlei Alves e de ninguém que tenha entrado no esquema da Câmara Secreta, Uragano, e outros empreendimentos idênticos, no entanto seria oportuno refletirmos sobre as causas que levaram pessoas com futuro promissor na política, como é o caso de Sidlei, a destruírem suas vidas públicas. Tenhamos em mente que se a Justiça Eleitoral não tivesse reduzido o número de vereadores, a corrupção seria mais difícil. E, não menos importante, se o povo em geral votasse com consciência e não em troca de favorecimento pessoal, não criaria a necessidade de os homens públicos precisarem procurar meios escusos para atenderem a tanta demanda.


Resumo da ópera

São muitos os homens e mulheres que se propõe a fazer política com seriedade e idealismo, no entanto, por se negarem a fazer favorecimentos pessoais aos eleitores acabam não se elegendo. Será verdadeiro que “cada povo tem o governo que merece?”




Wilson Valentim Biasotto é Membro da Academia Douradense de Letras; aposentou-se como professor titular pelo CEUD/UFMS, onde, além do magistério e desenvolvimento de projetos de pesquisas, ocupou cargos de chefia e direção.

Fonte: Wilson Valentim Biasotto

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